Fonte: clubedohardware.com.br
Final
de 2003, a AMD apresenta sua nova e aguardada plataforma conhecida como Hammer
e popularizada como K8. Integrando em seus novos processadores instruções de
cálculo de 64 bits o que eleva de 4.294.967.295 bits para 18.446.744.073.709.551.616 bits a
capacidade de armazenamento e manipulação de dados! Um salto considerável principalmente
para a quantidade de memória RAM antes,
limitada a 4GB. A AMD já usava as instruções x64 em sua linha de processadores corporativos, mas inovava trazendo um novo padrão para
os desktops.
Outra tecnologia que estreava nos computadores de mesa nessa
plataforma era a junção da controladora de memória RAM ao processador, antes essa controladora ficava no chipset norte, contido nas placas mães. Usando um canal de comunicação (single-channel) e
acessando a memória a 64bits (3200MB/s), essa controladora interna além de
diminuir o custo e latência da plataforma K8, usava o máximo das memórias DDR 400MHz,
desafogando o novo canal de comunicação chamado de Hyper Transport, usado para
acessar o restante dos controladores, assim seria necessário somente um chipset.
Seu novo soquete, com 754
pinos substituía o Soquete A (462). O designer facilitava absurdamente a
montagem dos novos coolers, que não tinham mais o antigo “degrau” do soquete A,
tendo sua base uniforme e retirando a necessidade de se utilizar qualquer tipo
de instrumento ou chave para fixação perfeita, tendo uma trava de pressão que
forçava sua superfície de dissipação ao processador.
Mas a inovação não terminava por ai, com a tecnologia Cool'n'Quiet a AMD mostrou como economizar energia baixando o clock externo do processador, consequentemente diminuia a geração de
calor quando o mesmo está em modo iddle e para finalizar algumas outras instruções multimídias também
foram adicionadas ou atualizadas para reforçar essa inovadora plataforma.
Era normal ouvir-se falar de
valores das taxas de transferências do Athlon 64 K8 em 6400MB/s erroneamente,
esse valor real foi atingido depois, mas na verdade a arquitetura K8 utilizava
dois barramentos de comunicação: o primeiro, que comunicava a memória RAM ao núcleo, internamente, esse acesso era
feito à 3200MB/s independente da placa mãe, o segundo: o Hyper Transport,
altamente influenciado pela placa mãe, poderia operar a frequências bem mais
baixas dependendo do chipset. Nas placas mães mais simples, sua freqüência
ficava em 100MHz ou 400MB/s, sendo um gargalo imenso para essa linha de
processadores single-core.
Mas
até que ponto uma arquitetura com 13 anos, apesar de inovadora, se sairia na
atualidade?
O exemplar em questão dessa primeira geração é um
Athlon 64 3200+ que possui um clock padrão de
2.2GHz. Na hierarquia dos Athlon 64 754, ele é literalmente o
intermediário de sua geração.
A
placa mãe que será usada para os testes é uma gigante Asus K8N, com chipset
Nforce 3 250. Offboard, apesar da limitação das memórias, era uma boa opção para os lendários K8,
possui um slot de expansão AGP 8x e 5
pci, além de um excelente codec de áudio integrado Realteck AC97 com suporte a
8 canais de áudio, além de uma entrada coaxial! A placa suporta também 3GB de
memória DDR 333 MHz em single channel e duas portas SATA com suporte para RAID.
Configuração:
- Athlon 64 3200+ @2.2GHz, Hyper Transport 3200MB/s
- Placa mãe Asus K8N
- VGA AGP 8x Geforce 6200 512MB@64bit
- RAM: 2x1 Kingston DDR@333MHz.
- HD SATA Samsung 80GB@7200RPM
- Fonte 450W reais.
- Windows 7 Ultimate x64.
Fonte: Acervo Pessoal
A primeira impressão foi a mesma do Pentium 4
EE, a falta de recursos atuais não dá suporte oficial ao Windows 8/8.1/10,
limitando-o ao Windows 7 porém com suporte a 64 bits.
Alguns drivers
não foram reconhecidos automaticamente pelo Windows 7 Ultimate x64 e
obviamente, a fabricante Asus não dá mais suporte para esse placa mãe, sendo um
deles o de áudio. Com uma rápida pesquisa pelo Software Aida64, descobriu-se
que a controladora é uma AC97 e pelo próprio site da Realtek , conseguiu-se
fazer download dos arquivos necessário e
o áudio funcionou perfeitamente, porém haviam ainda 2 “dispositivos
desconhecidos”, uma porta de áudio MIDI e uma game port da Nvidia, que ao
forçar uma instalação através do modo de compatibilidade causou instabilidade
no SO que teve de ser reinstalado. Na versão x86, os drivers conseguiram ser
instalados, porém, devido ao suporte de 64 bits e sabendo que isso não iria
interferir no desempenho final, optou-se pela versão x64.
Quando
aberto o navegador Google
Chrome 54.0.2840.71 com duas abas, uma com o site www.globo.com e a outra www.lancenet.com.br o uso da CPU, monitorada pelo “monitor de
recursos do Windows” ficou oscilando entre 94% a 100%. Assistir vídeos no
Youtube em HD é uma tarefa complicada para esse kit.
Processar
filmes e vídeos em alta resolução é uma tarefa corriqueira para qualquer
processador atual, até mesmo para dispositivos de baixo desempenho e baixo
consumo energético tem por obrigação rodar com qualidade filmes em 1080p. Em
2003 não era assim, mas será que esse Athlon conseguiria executar com qualidade
um episódio do anime Dragon Ball Super em 1080p sem maiores engasgos?
Utilizando o player VLC 2.2.4, o resultado foi
péssimo, com estouro de pixels e CPU quase sempre cravada nos 100%.
Já
com o Media Player Classic, o vídeo ficou “assistível”, sem estouros ou falta
de sincronismo, porém a CPU oscilou entre 82% e 100%.
MPC Fonte: Acervo Pessoal
VLC Fonte: Acervo Pessoal
Para ter-se uma métrica sem muitas prolongas, alguns
programas mais básicos de benchmark foram escolhidos para ser feito uma rápida
medição de seu desempenho.
São eles:
- CPU-Z Bench CPU
- CPU-Z Stress CPU
- Super PI 1.9 WP
Utilizando
o CPU-Z Bench CPU, tem-se uma nota de 356 no modo Single Thread e 321 no modo
Multi Thread, ou seja, baixo para os padrões atuais.
Fonte: Acervo Pessoal
O Stress CPU também do CPU-Z juntamente com
o Aida64, foi usado para estressar o processador fazendo-o trabalhar constantemente em 100% de uso para medir sua temperatura. O resultado depois de 5 minutos de estresse supremo foi de 55º no
núcleo e 47º no processador em geral, em
iddle manteve a média de 41º Celsius com
o seu cooler box padrão.
Fonte: Acervo Pessoal
No Super PI 1.9 WP de 1MB, ele demorou, por
volta de 45 segundos para efetuar o cálculo.
Fonte: Acervo Pessoal
De fato, um teste deveria ser feito com um game
popular, e mais uma vez foi o escolhido o League of Legend. Vale ressaltar que
aqui, a placa de vídeo poderá surtir efeitos negativos.
Com a
configuração do teste e os gráficos no mínimo possível, resolução de 800x600,
limitador de fps e qualquer outra opção avançada desativada, não houve
qualidade ao jogar, os frames em áreas abertas ficaram entre 47 e 37 fps mas o problema começa quando há muitos elementos, ou seja, nas batalhas! Manteve-se uma média de 10 a 17 fps. Uma miséria!
Fonte: Acervo Pessoal
Fonte: Acervo Pessoal
O tempo ruge para esse exemplar! Assim como o
Pentium 4 EE, esse processador já está
muito ultrapassado. Apesar de inovadora em 2003, a plataforma K8
oficialmente não dava suporte a pci-express ou memórias com maiores clocks como
a da Intel. A falta do dual-channel não parece afetar essa arquitetura bem
otimizada para a sua época. O suporte a instruções de 64bits, o Hyper Transport
e a controladora de memória integrada revolucionaram o conceito de CPU,
levando-se em conta que hoje, a maioria dos processadores possuem esse tipo de
tecnologia e vem agregando cada vez mais
a si, como por exemplo a controladora de vídeo. Esse artigo juntamente
com o outro, mostra como Intel e AMD buscavam soluções diferentes para ganhos computacionais,
cada uma com suas crenças. Na realidade a junção de ambos estudos se tornaram o
que tem-se hoje.
Vale ressaltar que
o custo de um Atlhon 64 3200+ era de $417,00 em seu lançamento, com desempenho
muito próximo e talvez até superior ao
Pentium 4 Extreme Edition ES 3.4GHz do artigo anterior além de consumir
89W à 1.5V! 20W a menos que o P4 EE.
Esse processador mesmo sendo considerado de uma categoria intermediária,
fez bonito em sua época, mas atualmente apesar das inovações, características como memórias DDR1 e slot AGP, matam a plataforma. Vantagem para sua época, porém problemático atualmente, é praticamente impossível achar peças em bom estado para um upgrade, deixando-o nesse quesito, um paço atrás do Pentium 4 EE que já possui em sua plataforma PCI-Express e DDR2. Talvez com uma placa de vídeo AGP melhor, ele conseguiria rodar LoL de forma mais satisfatória.
Outra informação interessante que pode-se provar vendo os dois artigos é que o jogo LoL não exige um grande processador nem placa de vídeo cara para que seja jogado acima dos 30 FPS, pois principalmente o Pentium 4, com 13 anos de uso e uma Geforce 6800XT foi o suficiente para manter uma boa média, apesar disso já ser óbvio para muitos, é raro algum review utilizando processadores tão antigos e single-core.
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